Saturday, January 27, 2024

Crítica - The Holdovers (Os Rejeitados), do Diretor Alexander Payne (de Sideways), com o Paul Giamatti

Fonte: Universal Studios

Acabo de assistir The Holdovers (Os Rejeitados), que concorre a cinco Oscars, entre eles Melhor Filme, Roteiro, Ator, e Atriz Coadjuvante.

Paul Giamatti interpreta Paul, um professor ranzinza e solitário de História Clássica, detestado por seus alunos, numa escola preparatória de elite da Nova Inglaterra (região que engloba Massachussetts, Maine, Rhode Island, Connecticut e Vermont), nos EUA, na década de 70, um internato (o que nos EUA é chamada de "boarding school", ou "prep school").

Ao ser escolhido, pelo corpo docente, como punição por sua postura intransigente em sala de aula, para cuidar do rebelde aluno Angus (interpretado pelo excelente Dominic Sessa, em seu primeiro papel), durante o recesso de final de ano, visto que sua mãe recém-casada não o levou em viagem, ele tem que formar um vínculo improvável com o aluno, com a ajuda da funcionária da escola, Mary, interpretada pela EXCEPCIONAL Da'Vine Joy Randolph, uma mãe em luto pela perda de seu filho, ex-aluno negro e bolsista da instituição, que morreu no Vietnam.
Filme com um roteiro que não corre para desenvolver o arco narrativo de seus personagens, com belas sacadas de humor sutil. Bela filmagem também, das regiões de Boston e Massachusetts, com coloração que lembram filmes mais antigos.
Levou o Globo de Ouro de Melhor Ator, Comédia ou Musical, para Giamatti, e Melhor Atriz Coadjuvante, para Randolph. É minha escolha para o Oscar para Melhor Ator para Giamatti (ao invés de Cillian Murphy, por Oppenheimer), Atriz Coadjuvante para Randolph (que deve levar na categoria), e, agora, Melhor Roteiro Original (a despeito do francês, Anatomy de Uma Queda - filme que já fiz crítica a respeito -, que levou o Globo de Ouro deve levar na categoria).
Do sempre interessante diretor e roteirista Alexander Payne, especialista em comédias dramáticas como Election, The Descendents e About Schmidt (que já colaborou anteriormente com Giamatti, em Sideways, e levou o Oscar de Melhor Roteiro na ocasião)! Experiência bem-agradável para assistir no Cinema! Nota 9,0, de 10,0 (ou B+, A-, se fosse pontuação norte-americana)! https://cinepop.com.br/os-rejeitados-433591/?fbclid=IwAR3VbCOmd_kR8trFecbEDKsvXbUFiSPbl6gCPXpV-scl6Y4LfkcHWUS_KcQ

Saturday, December 9, 2023

Minha menina

Minha menina

Por Olavo Caiuby Bernardes

Minha menina sempre sorridente, sempre brincalhona, trouxe os gatos para brincar.
Gatos olhavam para cima e para baixo, uma com olho azul e pelo cinza, outro com olhos marrons e pelo caramelo, miavam, alegres, corriam, às vezes arranhavam o carpete, ou o arranhador.
Agitada para cima e para baixo trouxe sua nova cachorrinha, de pelo marrom. Corriam, se escondiam, os gatos miando, ao estilo de não me toque, e a cachorrinha latindo.
Minha menina entrou na brincadeira, sorrindo, dizendo “papai veja nossos gatinhos”!
Minha menina seguiu brincando e a sala se iluminou. Nossos gatinhos, sua cachorrinha e meu maior tesouro!

Wednesday, August 23, 2023

O Caso Johnny Depp vs. Amber Heard and custos do processo nos EUA - Acordando no pós-julgamento (The Johnny Depp vs. Amber Heard case and trial costs in the US – Settling at post-trial)

Leiam O Caso Johnny Depp vs. Amber Heard and custos do processo nos EUA - Acordando no pós-julgamento (The Johnny Depp vs. Amber Heard case and trial costs in the US – Settling at post-trial), lancado no Instituto de Inglês Jurídico (em inglês). Enjoy!

http://thiagocalmonenglish.com/the-johnny-deep-vs-amber-heard-case-and-trial-costs-in-the-us-settling-at-post-trial/l

Monday, June 19, 2023

Berlusconi, Mani Pulite e Operação Lava Jato

 a) Sobre Silvio Berlusconi

Recentemente, faleceu o ex-Primeiro Ministro da Itália, Silvio Berlusconi (1936-2023), de complicações decorrentes de um tratamento de leucemia. Berlusconi, empresário do ramo de telecomunicações, ex-dono do time de futebol, AC Milan, e com diversos outros negócios, parte do conglomerado Finnivest, foi um dos homens mais ricos do mundo. Em 1994, quando já contava próximo dos 58 anos de idade, na esteira da Operação Mãos Limpas (Mani Pulite, em italiano), operação judicial que investigou os principais políticos e partidos italianos, que levou à implosão dos partidos tradicionais daquele país, veio a anunciar sua candidatura ao cargo de Primeiro-Ministro, com a criação do seu partido próprio, Forza Italia, que veio a dominar a política italiana por anos subsequentes.

Belusconi, que para muitos analistas é considerado o pai do populismo moderno de direita, muito baseado na figura do outsider na política, que em grande parte serviu para as eleições de Donald Trump, nos EUA, em 2016 (igualmente empresário, que até então jamais havia ocupado cargo público), veio a se tornar figura seminal na política italiana em anos subsequentes. Tendo mudado com seu jeito extravagante, não apenas a política italiana como um todo, mas com seu grupo midiático, a própria mentalidade dos italianos, quanto a questões como corrupção e personalismo na política.

Berlusconi ocupou em terceiro lugar por mais tempo o cargo de Primeiro Ministro da Itália Moderna (atrás de Benito Mussolini e Giovanni Giolitti), tendo anteriormente à entrada na vida política mantido extensa relação com o mundo político, a exemplo da amizade com o líder do Partido Socialista Italiano, Benito Craxi, investigado na Mani Pulite, padrinho de seu segundo casamento e de uma de suas filhas, e que veio a morrer em exílio na Tunísia.

Berlusconi que durante os seus três governos (1994 a 1995; 2001 a 2006; 2008 a 2011), foi bastante investigado por juízes e magistrados, que acusava de “comunistas”, e envolto em escândalos pessoais, como envolvimento com mulheres bem mais jovens, que inclusive levou ao seu segundo divórcio (escândalo conhecido por Bunga Bunga), bem como inabilitado de lidar com a crise econômica que afligiu a Itália, na esteira da Crise Hipotecária Norte-Americana de 2008, veio a renunciar por pressão, igualmente dos então presidente da França, Nicolas Sarkozy e Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, então líderes da Zona do Euro, como mostrado no documentário My Way: Silvio Berlusconi (Meu Caminho: Silvio Berlusconi).

Após um relativo período de ostracismo, Berlusconi, que veio a ser condenado, após sua saída do cargo, por pagar serviços de prostituição com menores e abuso de poder, veio a posteriormente ter suas condenações anuladas, recuperar parte de seu prestígio político, e se eleger para o cargo de Membro do Parlamento Europeu, em 2019, e posteriormente Senador da República Italiana, em 2022, tendo sido instrumental no apoio à eleição da atual Primeira-Ministra da Itália Giorgia Meloni, do Partido Fratelli d’Italia (Irmão da Itália), considerado por muitos analistas como de extrema-direita.

Em razão de seu falecimento, seguem algumas anotações desenvolvidas pelo Grupo de Estudo Estado e Poder, liderado pelos Professores Olavo Caiuby Bernardes e Luiz Philipe de Oliveira, sobre pontos em comum entre a Operação Mani Pulite na Itália, que o investigou, e que muitos consideram que ele ajudou a extinguir, e a Operação Lava Jato, no Brasil (o próprio Sérgio Moro, ex-juiz federal, ex-Ministro da Justiça e atual Senador pelo Paraná, escreveu artigo sobre aquela Operação, enquanto magistrado, “Considerações Sobre a Mani Pulite”, além de ter escrito o prefácio da edição brasileiro do livro, “Operação Mãos Limpas”, organizado pelo jornalista italiano Giovanni Barbacetto).

 

b) Pontos em Comum e Pontos em Desacordo entre a Mani Pulite, na Itália, e Lava Jato, no Brasil

Pontos em Comum

1)      A Lava Jato e a Mani Pulite ocorreram por haver uma colaboração muita estreita entre o Ministério Público/Acusação e os Juízes/Tribunais. No caso da Itália, isso ocorreu por serem membros da mesma carreira, no caso do Brasil, por juízes e promotores federais (Procuradores) e a Polícia Federal, terem resolvido diferenças históricas.

2)      A Lava Jato e a Mani Pulite tiverem como estratégia a manutenção de prisões preventivas, para obterem delações, além de manter um forte apoio da opinião pública, em algumas situações com vazamentos seletivos à mídia, se necessário.

3)      A Lava Jato e a Mani Pulite não conseguiram mudar a cultura política de seus países, por ter havido uma forte contrarreação de setores investigados, mudança de lei e de jurisprudência, que impediram o prosseguimento das investigações e manutenção de suas táticas, como o uso de prisão preventiva, para a obtenção de delações, ou mesmo a homologação dessas delações.

4)      A Lava Jato e a Mani Pulite surgiram pois as circunstâncias históricas que impediram anteriormente seu surgimento, foram suspensas, no caso da Itália, o fim da Guerra Fria, o que permitiu a investigação dos partidos que representavam o status quo da época, em particular a Democracia Cristã e o Partido Socialista Italiano, com o apoio da imprensa tradicional que antes temia a ascensão do Partido Comunista Italiano, e, no caso da Lava Jato, um sentimento anticorrupção, que teve ápice pouco antes com as Jornadas de Junho, e a possibilidade de nova legislação, como a aprovação de Lei de Delação Premiada, em agosto de 2013, surgindo seis meses antes do início daquela operação, e a mudança de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, permitindo a prisão em segunda instância, logo no início daquela operação.

5)      A Lava Jato e a Mani Pulite criaram espaço para o surgimento de políticos e partidos muito mais personalistas e populistas, o que trouxe uma rejeição à política tradicional, vista como parte do establishment.

Pontos em Desacordo

1)      A Lava Jato, ao contrário da Mani Pulite, no início dos 90, surge num cenário bem mais polarizado, com a existência de redes sociais, em ano de eleições presidenciais, e por sua natureza (escândalos na Petrobrás), acaba investigando sobretudo o partido no poder e seus aliados. Desde o início, a despeito de grande apoio, não teve o apoio unânime que a Mani Pulite teve, sendo desde sempre considerada uma operação parcial e partidarizada.

2)      A Lava Jato, ao contrário da Mani Pulite, teve desde o início alegações de ilegalidade, como a suspeição do Juiz Sérgio Moro, e a incompetência da Justiça Federal de Curitiba para julgar o feito, visto a competência do foro por prerrogativa de função, inexistente na legislação italiana, no que concerne à investigação de políticos com mandatos eletivos, as empreiteiras envolvidas terem sede sobretudo em São Paulo, a Petrobrás, sede no Rio de Janeiro. Sendo assim, houve inúmeros pedidos de suspeição e fatiamento do processo que levaram ao fim ao enfraquecimento daquela operação.  

3)      Se a Mani Pulite investigou todos os partidos italianos tradicionais, esquerda, direita e centro, a contrarreação do status quo foi igualmente mais agressiva. Com a eleição do empresário e magnata da mídia, Sílvio Berlusconi, vendido como um outsider da política, a despeito de todas suas conexões políticas necessárias para seus negócios, durante seus três mandatos, em especial em seu Segundo Gabinete (Secondo Gabinetto), com o forte apoio do Parlamento Italiano, aprovou uma série de propostas legislativas que desmantelaram o poder dos tribunais e promotores italianos para seguirem com aquelas acusações. No mais, Berlusconi usou todo seu poder midiático para manchar a reputação dos magistrati della Reppublica, a ponto que alguns, como Antonio Di Pietro, tiveram que renunciar ao cargo para se defender das acusações contra si. No caso da Lava Jato, seu desmantelamento, mais do que uma contrarreação da classe política mediante legislação, deu-se sobretudo por uma perda de apoio de setores chaves do Poder Judiciário, como no STF, com o falecimento a relator da Lava Jato naquele tribunal, Min. Teori Zavascki, bem como o fim do mandato do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e posterior nomeação do atual Procurador Geral, Augusto Arras, que se comprometeu a acabar com setores paralelos do Ministério Público Federal – MPF, o mais famoso, a “República de Curitiba”.

4)      A despeito de alguns dos magistrati da Mani Pulite terem após seguido carreira política, como o próprio Di Pietro, que fundou seu próprio partido (e que anteriormente havia sido convidado por Berlusconi, para ser seu Ministro do Interior, em 1994, o que recusou), nenhum atingiu o mesmo nível de notoriedade público que Sérgio Moro, juiz titular na Lava Jato, que assumiu um cargo de Ministro da Justiça, no Governo de Jair Bolsonaro, que derrotou Fernando Haddad nas eleições, o sucessor de Lula naquelas eleições. Isso reforçou não apenas a idéia de parcialidade daquela operação, como igualmente ajudou em seu desmantelamento.

5)       Ao contrário da Mani Pulite, que levou à uma destruição de partidos tradicionais da política italiana, e a ascensão de novos partidos então inexistentes, ou marginais à política italiana, como o Movimento 5 Stelle e o Lega Nord, além do próprio Forza Italia, de Silvio Berlusconi;  no Brasil, pós-Lava Jato, as eleições de 2018 e 2022 demonstraram uma maior fragmentação partidária com o surgimento de novos agentes políticos, de movimentos de rua (Vem Pra Rua, MBL, etc.), e entidades ligadas à setores empresariais/fundos cívicos (RAPS, Renova Brasil, etc.), elegendo-se por partidos tradicionais, salvo a criação do Partido Novo.

 

c) Sobre Berlusconi e Mani Pulite:

Em português – BBC Brasil – Bilionário, extravagante e colecionador de escândalos:  quem foi Silvio Berlusconi – https://www.bbc.com/portuguese/articles/cv2r9jgmgk0o

Em inglês – Reuters – Silvio Berlusconi obituary: former Italian PM brought burlesque to politics – https://www.reuters.com/world/europe/billionaire-berlusconi-brought-burlesque-italian-politics-2023-06-12/?utm_source=Sailthru&utm_medium=Newsletter&utm_campaign=Daily-Briefing&utm_term=061223

Estadão – Mãos Ainda Sujas - https://www.estadao.com.br/alias/maos-ainda-sujas/

Conjur – Operação mão limpas não diminuiu a corrupção, afirmam juízes italianos – https://www.conjur.com.br/2016-mar-27/operacao-maos-limpas-nao-diminuiu-corrupcao-dizem-juizes-italianos

 

e) Bibliografia essencial (Sobre Populismo, Corrupção, Lava Jato, Mani Pulite):

ABRANCHES, Sérgio Henrique Hudson de. Presidencialismo de coalizão: o dilema Institucional brasileiro. Revista de Ciências Sociais, Rio de Janeiro. Vol. 3, n. 1, 1988, p. 5-34.

ARISTOTELES. A Política - Col. Clássicos Para Todos. Ed. Nova Fronteira: Rio de Janeiro, 2017

BARBACETTO, Gianni; TRAVAGLIO, Marco; GOMES, Pete. Operação Mãos Limpas. Citadel Editora: Porto Alegre. 2016.

BARROS, Caio Carvalho Correia; BERNADES, Cristiane Brum. Populismo No Brasil Contemporâneo: Uma Análise De Discursos De Lula E De Bolsonaro. Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho GT1 - Comunicação e democracia do VIII Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (VIII COMPOLÍTICA), realizado na Universidade de Brasília (UnB), de 15 a 17 de maio de 2019.

BOBBIO, Norberto. A teoria das formas de governo. Editora Universidade de Brasília, Brasilia, 2010

BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola e PASQUINO, Gianfranco; Dicionário de política, trad. Carmen C, Varriale et ai.; coord. trad. João Ferreira; rev. geral João Ferreira e Luis Guerreiro Pinto Cacais - Editora Universidade de Brasília: Brasília,1998.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Difel Lda.: Lisboa, 1989 DE CLEEN, Benjamin. Populism and Nationalism: The Oxford Handbook of Populism. Ed. Oxford Universitary Press: Oxfordshire, 2017.

KERCHE, Fábio. MINISTÉRIO PÚBLICO, LAVA JATO E MÃOS LIMPAS: UMA ABORDAGEM INSTITUCIONAL. Lua Nova [online]. 2018, n.105, pp.255-286

KEY Valdimer Orlando, Jr., "A Theory of Critical Elections," Journal of Politics 17 (1955),3-18, 1955

LEVITSKY, Steven, and ZIBLATT, Daniel. How democracies die. Ed. Broadway Books: 2008

MAQUIAVEL, Nicolau. O Principe. Ed. Penguim: São Paulo, 2010.

MENDONÇA, Daniel de. Democratas têm medo do povo? O populismo como resistência política Caderno CRH, Salvador, vol. 32, n. 85, p. 185-201, Jan./Abr. 2019

MÉNY Yves, RHODES Martin. Illicit Governance: Corruption, Scandal and Fraud. In: Rhodes M., Heywood P., Wright V. (eds) Developments in West European Politics. Palgrave, London, p. 95-113

MCDONNELL, Duncan. Silvio Berlusconi´s personal parties: From Forza Italia to the Popolo Della Libertà. Political Studies: 2013, vol. 61(S1), pp. 217/233

MORO, Sergio Fernando. Considerações sobre a operação mani pulite. Revista EJ – Justiça Federal, CJF – Brasilia, n. 26,p.56-62, jul./set.2004

NETTO, Vladimir. Lava Jato. Ed. Primeira Pessoa: Rio de Janeiro, 2016.

NORRIS, Pippa; EVANS Geoffrey. 'Introduction: Understanding Electora Change". In Critical Elections: British Partiesand Voters in Long-term Perspective. London, Sage, 1999.

OLIVEIRA, Adilson Vagner de. Por que políticos corruptos se reelegem? Um estudo sobre racionalidade e corrupção. Revista de Estudos Sociais, v. 20, n. 41. Pp. 187-203.

POMPER, Gerald M.. "Classification of presidential elections". The Journal of Politics, vol. 29, nº 3, p. 535-566, 1967.

PONTES, Jorge e ANSELMO, Marcio. Crime.gov: Quando corrupção e governo se misturam. Ed. Objetiva: São Paulo, 2019.

RODRIGUÊS, Theófilo Machado. Populismo de esquerda versus populismo de direita no início do século XXI: o conflito político nos EUA, Inglaterra, França e Alemanha. Revista Estudos Políticos, vol. 9, n. 1, p. 70-85.

TAVARES, Paulino Varela; FONSECA, Pedro Cezar Dutra. Estamento burocrático e intencionalidade: Raymundo Faoro, Florestan Fernandes: Revista de Economia Política e História Econômica, n. 16, janeiro de 2009 pp. 56-74

TOCQUEVILLE, Alexis de. A democracia na América: Livro 1 - Leis e costumes. Trad. Eduardo Brandão. Martins Fontes: São Paulo, 2005.

VANUCCI, Alberto. The controversial legacy of “Mani Puliti”: A critical analysis of Italian corruption and anti-corruption policies. Buletin of Italian Politics, vol. 1, n. 2, 2009, 233-264.

WEBER, Max, 1864-1920. Ciência e política: duas vocações / Max Weber; prefácio Manoel T.

Berlinck; tradução Leonidas Hegenberg e Octany Silveira da Mota. 18 ed. Cultrix: São Paulo,

2011.

Wednesday, March 29, 2023

Por que Brendan Fraser, em A Baleia, mereceu tanto o Oscar, quanto Austin Butler, em Elvis

Acabo de assistir The Whale (A Baleia, no Brasil), do sempre inovador diretor Darren Aronofsky (pessoalmente meu filme favorito dele, é Réquiem para um Sonho/Requiem for a Dream). Brendan Fraser está espetacular e mereceu o Oscar de Melhor Ator! O Filme ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem, também muito merecido...

A atriz tailandesa Hong Chau, que faz sua enfermeira, também está excelente e foi indicada ao Oscar e Globo de Ouro.
Injustiça para mim maior não é Austin Butler não ter ganhado o Oscar por Elvis (que pessoalmente estava torcendo), ele é jovem e terá outras oportunidades (seria legal ter um empate de atuação entre Fraser e Butler, como teve em 1968, quando a então novata Barbra Streisand, ganhou Melhor Atriz, por Funny Girl, e a já veterana Katherine Hepburn, ganhou Melhor Atriz, por The Lion in the Winter)!
Injustiça maior é o Rami Malek ter ganhado Melhor Ator em 2019 por uma interpretação muito inferior de um músico, Freddie Mercury, em Bohemian Rhapsody (interpretação bastante mediana, na realidade)!
No mais, outra injustiça é o Mickey Rourke, outro ator que estava em esquecimento, "redescoberto" por Aronofsky, após ter ganhado o Globo de Ouro, ter perdido o Oscar em 2009, por The Wrestler/O Lutador, interpretação absolutamente magnífica e visceral! Naquele ano o Oscar de Melhor Ator foi para Sean Penn, por Milk, papel biográfico, que hoje em dia, pessoalmente não acho nada demais... Penn, recordando, já tinha seu Oscar de Melhor Ator, por Sobre Meninos e Lobos (Mystic River), de 2003.
(Compartilhado em Cinéfilos - comentário bem aceito por lá)

Friday, December 16, 2022

Amistad - Resenha - Netflix

Acaba de estrear na Netflix Amistad, de 1997, do Diretor Steven Spielberg (diretor de A Lista de Schindler), caso que chegou à Suprema Corte dos EUA - United States v. Schooner Amistad (1841).

O caso envolve a escuna espanhola La Amistad (“A Amizade”), que praticava o tráfico negreiro do continente africano para as colônias nas Américas, então pertencentes ao Reino da Espanha (em particular, Cuba), e que foi apreendido em costa norte-americana por sua Guarda Costeira (U.S. Coast Guard), após um levante de homens escravos originários da tribo Mende, do que seria hoje Serra Leoa, liderados por Cinque (interpretado pelo ator Djimon Hounsou).

A questão central da discussão é se referidos homens seriam propriedade pertencente aos donos do navio, ou ao Reino da Espanha, à época governado pela Infanta Isabela II (interpretada por Anna Paquin), com o qual os EUA possuíam relações diplomáticas e tratados internacionais, ou homens livros capturados ilegalmente na África. Em seu pleito, o Reino da Espanha conta seu Embaixador para os EUA, e conselheiro real, Ángel Calderón (interpretado por Tomas Milian).

A tese em prol dos africanos, conforme defendida pelo ambicioso advogado de Direito Imobiliário, Roger S. Baldwin (interpretado por um então pouco conhecido ator, Matthew McConaughey, hoje oscarizado) é de que seriam homens livres, ao não terem nascido em Cuba, colônia espanhola, e sim na África.

O caso chegou à um país historicamente com uma relação difícil com questões raciais, com uma região norte mais industrializada, e em geral contra a prática, e um sul baseado mais em mão de escravagista, o que ao fim levou ao Guerra de Secessão/Guerra Civil Norte-Americana (1861-1865), vencida pela União (estados do norte), contra a Confederação (estados confederados dos sul), o que levou à Promulgação da 13ª Emenda à Constituição Norte-Americana e o fim da escravidão naquele país (fato narrado em outro filme de Spielberg, Lincoln, de 2012).

Nesse sentido, o Governo do então oitavo Presidente dos EUA, Martin Van Buren (1837-1841) (interpretado por  Nigel Hawthorne), em busca da reeleição e não querendo desagradar os estados sulistas, junto ao seu então Secretário de Estado, John Forsyth (interpretado por David Paymer) (cargo equivalente ao de Ministro de Relações Exteriores no Brasil), endossou a causa da Espanha em tribunais norte-americanos e inclusive recorreu à Suprema Corte dos EUA (daí a razão de um dos pleiteantes ser o Governo dos EUA).

Baldwin se cerca da ajuda do ex-presidente e congressista John Quincy Adams (1825-1829) (interpretado por Anthony Hopkins, em magnifica interpretação indicada ao Oscar de Ator Coadjuvante), jurista gabaritado, linguista, e abolicionista não assumido, para ajudá-lo com argumentação jurídica perante tribunais superiores. Quincy Adams era filho de John Adams, segundo presidente dos EUA(1797-1801), e um dos pais fundadores (founding fathers), da nação norte-americana, um dos que ratificaram a Constituição dos EUA, de 1787, ainda em vigor.

Ademais Baldwin contou com a ajuda do ex-escravo, empresário e abolicionista, Theodore Joadson (interpretado por Morgan Freeman), que o contratou para o trabalho e auxiliou na construção do caso.

O filme, que foi indicado a quatro Oscars à época, é belíssimo manifesto em prol da liberdade, direito inerente à todos os seres humanos, conta ainda com grande elenco internacional, incluindo Pete Postlethwaite, Stellan Skarsgård, Chiwetel Ejiofor e Peter Firth. Recomenda-se, nota 10/10!

Por fim, faz-se interessante observar que a Inglaterra, que era historicamente contra a prática de tráfico negreiro, e já patrulhava águas internacionais à época (fato narrado no filme), veio a passar alguns anos depois, em 1845, o Alberden Act, lei que a autorizava à sua poderosa Marinha apreender navios com cargas humanas, em alto mar. Por pressões inglesas, que o Brasil historicamente o país que mais se beneficiou de mão de obra escrava africana (40% do volume total), veio a passar a Lei Eusébio de Queiroz, em 1850, proibindo a prática de tráfico de escravos africanos, mas mantendo a escravidão no país e sendo complacente com a prática, o que gerou o ditado popular “lei para inglês ver”.

Amistad (1997) - https://www.adorocinema.com/filmes/filme-16168/

Saturday, May 14, 2022

Dez Provas do Meu Amor Pelo Cinema

Dez Provas do Meu Amor Pelo Cinema 

Com os resultados do Oscar 2021, que em geral gostei, CODA – No Ritmo do Coração, que ganhou Melhor Filme, é um filme importante no sentido de trazer em debate a questão dos surdos e a linguagem de libras, e complementar ao excelente The Sound of Metal (O Som do Silêncio, no Brasil), de 2020 (o filme que mais gostei aquele ano, junto com The Father, com o Anthony Hopkins). 

Pessoalmente teria dado o Oscar de Direção à Belfast, filme memória do sempre eclético diretor, ator e roteirista norte-irlandês, Kenneth Branagh, que ganhou Melhor Roteiro Original, não a The Power of the Dog (Ataque dos Cães, no Brasil), que não me agradou, e o prêmio de Melhor Diretora para Jane Campion foi praticamente um prêmio de consolação, visto não ter levado mais nada naquela premiação.

Reitero que meu amor é por bons filmes, com boas histórias, não me importando por pautas identitárias, se apenas por imposição, sem contextualização, sem reforçar a força de história. Detesto igualmente polêmicas trazidas apenas para reforçar imposições, descontextualizadas, da qualidade do filme (nesse sentido, recomendo o filme King Richard, com o Will Smith, que mereceu a premiação de Melhor Ator, ainda que sua conduta realmente tenha sido reprovável durante a cerimônia, o que levou justificadamente à sua expulsão da organização).

Compartilho algumas provas do meu amor pelo Cinema:

1) Sou tão cinéfilo, que se estiver em Marte, e houver uma sala de cinema aberta, vou checar a programação, ainda que tenha que frequentar a sala com máscara de oxigênio;

2) Não teve um país, ou cidade que estive, que havia cinema, que não chequei a programação local. Nos locais onde vivi, Brasil, EUA e Austrália, sempre frequentei muito cinema (além de ter frequentado sala de cinema em Hastings, Inglaterra, quando estive lá por um mês);

3) Já fui em cinema visitando Berlim, Paris, Londres, por poucos dias, entre outros locais (e para quem sabe, em países europeus só existem filmes dublados, ou no original em algumas poucas salas). Sempre preferi ver filmes que tinha interesse em salas de exibição, do que no streaming;

4) Já fui voluntário e frequentei festivais de cinema em São Paulo e Miami, e Sidney (a passeio, pois vivia em Melbourne);

5) Quando há algum filme que queria ver, e não encontro companhia, não hesito duas vezes em ir sozinho... (aliás, algumas vezes inclusive prefiro, pois quero prestar atenção no filme);

6) Aliás, sempre fui um rato de locadoras de filme, e DVDtecas (toda quinta/sexta-feira, depois do estágio na Faculdade passava em uma - Blockbuster, 2001, etc.), e sinto falta dessas não existirem mais (sempre havia indicações de bons filmes, filmes diferentes, pelos atendentes, ao contrário do conforto dos algoritmos de streaming, que te empurra para uma mesmice de gêneros - eu pesquiso muito sobre filmes, mas sei que algumas pessoas acabam sendo empurradas pelos algoritmos);

7) Comprava Revista SET e Premiere, para saber as últimas novidades (SET, nacional, não existe mais, e Premiere, estrangeira, agora está inviável, com esse dólar absurdo);

8) Fiz duas disciplinas de Direito do Entretenimento/Entertainment Law, no meu LLM, uma delas que tirei A, e outra B+. Aliás, fui aprovado em cinema na FAAP, no segundo semestre de 2004, e um dos arrependimentos que tive foi de não começa a cursá-la, pois à época estava fazendo outro curso tempo integral (Publicidade na ESPM, que comecei pensando em entrar no mercado cinematográfico - grande parte de quem começa no cinema no Brasil, começa pela Publicidade). Depois migrei para o Direito que não me arrependo, hoje teria feito Cinema e Direito, para trabalhar com produção;

9) Fiz igualmente um curso de roteirista na Academia Internacional de Cinema - AIC, em São Paulo, porém tive que interromper, pois fui aprovado para meu LLM, e mudei para os EUA;

10) Ainda que infelizmente, com essa pandemia se tenha menos chance frequentar salas de exibição, estou seguro que o que manteve minha sanidade mental, principalmente no lockdown, foi poder ver filmes, planejar o que ia assistir nas horas vagas...