Acabo de assistir The Whale (A Baleia, no Brasil), do sempre inovador diretor Darren Aronofsky (pessoalmente meu filme favorito dele, é Réquiem para um Sonho/Requiem for a Dream). Brendan Fraser está espetacular e mereceu o Oscar de Melhor Ator! O Filme ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem, também muito merecido...
Wednesday, March 29, 2023
Por que Brendan Fraser, em A Baleia, mereceu tanto o Oscar, quanto Austin Butler, em Elvis
Friday, December 16, 2022
Amistad - Resenha - Netflix
Acaba de estrear na Netflix Amistad, de 1997, do Diretor Steven Spielberg (diretor de A Lista de Schindler), caso que chegou à Suprema Corte dos EUA - United States v. Schooner Amistad (1841).
O caso envolve a escuna espanhola La Amistad (“A Amizade”), que praticava o tráfico negreiro do continente africano para as colônias nas Américas, então pertencentes ao Reino da Espanha (em particular, Cuba), e que foi apreendido em costa norte-americana por sua Guarda Costeira (U.S. Coast Guard), após um levante de homens escravos originários da tribo Mende, do que seria hoje Serra Leoa, liderados por Cinque (interpretado pelo ator Djimon Hounsou).
A questão central da discussão é se referidos homens seriam propriedade pertencente aos donos do navio, ou ao Reino da Espanha, à época governado pela Infanta Isabela II (interpretada por Anna Paquin), com o qual os EUA possuíam relações diplomáticas e tratados internacionais, ou homens livros capturados ilegalmente na África. Em seu pleito, o Reino da Espanha conta seu Embaixador para os EUA, e conselheiro real, Ángel Calderón (interpretado por Tomas Milian).
A tese em prol dos africanos, conforme defendida pelo ambicioso advogado de Direito Imobiliário, Roger S. Baldwin (interpretado por um então pouco conhecido ator, Matthew McConaughey, hoje oscarizado) é de que seriam homens livres, ao não terem nascido em Cuba, colônia espanhola, e sim na África.
O caso chegou à um país historicamente com uma relação difícil com questões raciais, com uma região norte mais industrializada, e em geral contra a prática, e um sul baseado mais em mão de escravagista, o que ao fim levou ao Guerra de Secessão/Guerra Civil Norte-Americana (1861-1865), vencida pela União (estados do norte), contra a Confederação (estados confederados dos sul), o que levou à Promulgação da 13ª Emenda à Constituição Norte-Americana e o fim da escravidão naquele país (fato narrado em outro filme de Spielberg, Lincoln, de 2012).
Nesse sentido, o Governo do então oitavo Presidente dos
EUA, Martin Van Buren (1837-1841) (interpretado por Nigel Hawthorne),
em busca da reeleição e não querendo desagradar os estados sulistas, junto ao
seu então Secretário de Estado, John Forsyth (interpretado por David Paymer)
(cargo equivalente ao de Ministro de Relações Exteriores no Brasil), endossou a
causa da Espanha em tribunais norte-americanos e inclusive recorreu à Suprema
Corte dos EUA (daí a razão de um dos pleiteantes ser o Governo dos EUA).
Baldwin se cerca da ajuda do ex-presidente e
congressista John Quincy Adams (1825-1829) (interpretado por Anthony Hopkins,
em magnifica interpretação indicada ao Oscar de Ator Coadjuvante), jurista gabaritado,
linguista, e abolicionista não assumido, para ajudá-lo com argumentação
jurídica perante tribunais superiores. Quincy Adams era filho de John Adams,
segundo presidente dos EUA(1797-1801), e um dos pais fundadores (founding
fathers), da nação norte-americana, um dos que ratificaram a Constituição
dos EUA, de 1787, ainda em vigor.
Ademais Baldwin contou com
a ajuda do ex-escravo, empresário e abolicionista, Theodore Joadson (interpretado por Morgan Freeman), que o
contratou para o trabalho e auxiliou na construção do caso.
O filme, que foi indicado a quatro
Oscars à época, é belíssimo manifesto em prol da liberdade, direito inerente
à todos os seres humanos, conta ainda com grande elenco internacional,
incluindo Pete Postlethwaite,
Stellan Skarsgård, Chiwetel Ejiofor e Peter Firth. Recomenda-se, nota 10/10!
Por fim, faz-se
interessante observar que a Inglaterra, que era historicamente contra a prática
de tráfico negreiro, e já patrulhava águas internacionais à época (fato narrado
no filme), veio a passar alguns anos depois, em 1845, o Alberden Act,
lei que a autorizava à sua poderosa Marinha apreender navios com cargas
humanas, em alto mar. Por pressões inglesas, que o Brasil historicamente o país
que mais se beneficiou de mão de obra escrava africana (40% do volume total),
veio a passar a Lei Eusébio de Queiroz, em 1850, proibindo a prática de tráfico
de escravos africanos, mas mantendo a escravidão no país e sendo complacente
com a prática, o que gerou o ditado popular “lei para inglês ver”.
Amistad (1997) - https://www.adorocinema.com/filmes/filme-16168/
Saturday, May 14, 2022
Dez Provas do Meu Amor Pelo Cinema
Compartilho algumas provas do meu amor pelo Cinema:
1) Sou tão cinéfilo, que se estiver em Marte, e houver uma sala de cinema aberta, vou checar a programação, ainda que tenha que frequentar a sala com máscara de oxigênio;
2) Não teve um país, ou cidade que estive, que
havia cinema, que não chequei a programação local. Nos locais onde vivi,
Brasil, EUA e Austrália, sempre frequentei muito cinema (além de ter
frequentado sala de cinema em Hastings, Inglaterra, quando estive lá por um
mês);
3) Já fui em cinema visitando Berlim, Paris, Londres, por poucos dias, entre outros locais (e para quem sabe, em países europeus só existem filmes dublados, ou no original em algumas poucas salas). Sempre preferi ver filmes que tinha interesse em salas de exibição, do que no streaming;
4) Já fui voluntário e frequentei festivais de cinema em São Paulo e Miami, e Sidney (a passeio, pois vivia em Melbourne);
5) Quando há algum filme que queria ver, e não encontro companhia, não hesito duas vezes em ir sozinho... (aliás, algumas vezes inclusive prefiro, pois quero prestar atenção no filme);
6) Aliás, sempre fui um rato de locadoras de filme, e DVDtecas (toda quinta/sexta-feira, depois do estágio na Faculdade passava em uma - Blockbuster, 2001, etc.), e sinto falta dessas não existirem mais (sempre havia indicações de bons filmes, filmes diferentes, pelos atendentes, ao contrário do conforto dos algoritmos de streaming, que te empurra para uma mesmice de gêneros - eu pesquiso muito sobre filmes, mas sei que algumas pessoas acabam sendo empurradas pelos algoritmos);
7) Comprava Revista SET e Premiere, para saber as últimas novidades (SET, nacional, não existe mais, e Premiere, estrangeira, agora está inviável, com esse dólar absurdo);
8) Fiz duas disciplinas de Direito do Entretenimento/Entertainment Law, no meu LLM, uma delas que tirei A, e outra B+. Aliás, fui aprovado em cinema na FAAP, no segundo semestre de 2004, e um dos arrependimentos que tive foi de não começa a cursá-la, pois à época estava fazendo outro curso tempo integral (Publicidade na ESPM, que comecei pensando em entrar no mercado cinematográfico - grande parte de quem começa no cinema no Brasil, começa pela Publicidade). Depois migrei para o Direito que não me arrependo, hoje teria feito Cinema e Direito, para trabalhar com produção;
9) Fiz igualmente um curso de roteirista na Academia Internacional de Cinema - AIC, em São Paulo, porém tive que interromper, pois fui aprovado para meu LLM, e mudei para os EUA;
10) Ainda que infelizmente, com essa pandemia se tenha menos chance frequentar salas de exibição, estou seguro que o que manteve minha sanidade mental, principalmente no lockdown, foi poder ver filmes, planejar o que ia assistir nas horas vagas...
Wednesday, January 5, 2022
Da Lei Rouanet e do Audiovisual, como vítimas do atual extremismo político no país
Da Lei Rouanet e do Audiovisual, como vítimas do atual extremismo político no país
(Esse artigo foi
escrito em 2016, à época do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, antes
da eleição de Jair Bolsonaro à presidência da república)
1.
Dos
extremismos contemporâneos
De tempos para cá, ando pensando bastante na efetividade
do Facebook e de outras redes sociais, em divulgar minhas idéias. Como muitos,
não passei essa temporada das eleições de 2014 para cá ileso. Algumas amizades
se amargaram, alguns contatos se azedaram e algumas pessoas simplesmente
cortaram-me de suas redes sociais.
Sempre escutei que amizades vem e vão, e que na
vida muito mais que amigos, temos contatos. Então realmente não saberia dizer
se as pessoas que perdi em minha lista de contatos nos últimos três, quatro
anos, são amigos, ou simplesmente contatos para adicionar ao número de pessoas.
Muitos já não via fazia muito tempo, muitos,
nossas histórias não cruzavam há mais de uma década (como colegas que estudei
no colégio), outros foram contatos mais recentes que se perderam, dos quais
nunca foi realmente desenvolvida uma relação de amizade. Em alguns casos já
sentia fazia tempo que nossa relação havia se azedado e que não tínhamos mais
nada em comum entre nós.
Algumas dessas rupturas foram silenciosas, a
pessoa simplesmente resolveu fazer uma limpa nos seus contatos do Facebook e eu
entrei na roda, por uma, ou outra opinião minha – muitas vezes na minha própria
timeline – que aquela pessoa não
curtiu, ou não gostou; outra já houve um aviso prévio, apenas uma pequena
discussão e sinal de esfriamento, certo tempo depois percebi que não tinha mais
aquela pessoa entre minha lista de contatos.
Apesar de nunca ter simpatizado com o Partido dos Trabalhadores,
sobretudo com a militância petista e de partidos satélites (PC do B, PSol...)
na internet, que deixa qualquer educação e compromisso com fatos comprovados de
lado em nome de uma ideologia (quem é que nunca foi vítima de estereótipos
ofensas pesadas, quando expressou sua discordância em torno do PT como salvador
nacional, dos pobres e oprimidos de nosso país? – por exemplo, descobri que ser
“paulista”, para alguns petistas/isentões mais extremados, define supostamente
quem você, numa clara demonstração xenófoba e preconceituosa em relação à São
Paulo – apesar do próprio PT ter sido criado naquela cidade e muitas de suas
principais lideranças terem nascidos, ou serem residentes, naquele estado), não
gosto de gente que calunia, difama, ofende, põe mentiras e inverdades de todos
os lados.
Tampouco
acho que sempre estive certo, ou sempre respondi da melhor forma a potenciais
embates políticos e ideológicos. Hoje, porém, talvez por maturidade, talvez por
ter alcançado a paternidade, ou talvez simplesmente por falta de saco, quando
percebo que a pessoa tem uma opinião muito diferente de mim, simplesmente
ignoro e não entro em discussão.
Se
suas opiniões simplesmente me incomodam muito e é de minha lista de contatos,
não sendo pessoa próxima, com a qual não nutro grande relação de amizade e
contato, simplesmente paro de segui-la, afinal, como diz aquele velho ditado,
"o que os olhos não veem, o coração não sente". Se creio que é
informação absolutamente caluniosa, difamante e/ou injuriosa (ou seja, um crime
contra a honra) reflito sobre proceder denúncia perante os canais
competentes.
Discutir,
seguramente, não é o caminho. O que se ganha com isso além de estresse,
exposição desnecessária e perda de tempo? A resposta pelo que pude aprender com
o tempo é uma: absolutamente nada! Apenas vai retroalimentar os preconceitos e
certezas que o sujeito tinha em relação a tudo, para ao final potencialmente
ser excluído e bloqueado de sua vida (isso além de passar a imagem de
chato).
As
certezas ideológicas e políticas se sobrepõem a qualquer consideração
anteriormente existente (nesse sentido, a internet pode mais separar do que
aproximar. Um filme que recomendo sobre os perigos da internet e dos perigos do
excesso de exposição que nos submetemos no mundo atual é "Os
Desconectados", de 2012, com histórias desastrosas da internet baseada em
fatos reais, com o ator Jason Bateman, do então estreante diretor Henry Alex
Rubin).
2.
Da Lei Rouanet e do Audiovisual
Porém
o tema aqui é essencialmente outro. Ultimamente, com a discussão e protestos
acerca da extinção do Ministério da Cultura (Minc), e por diversos
artistas serem favoráveis ao governo da presidente afastada, muitos membros da
sociedade vêm criticando a existência da chamada "Lei Rouanet", sem
saber do que ela realmente trata e como funciona.
Por
sempre ter gostado muito da área cultural, sobretudo o cinema, e sobretudo por ter
estudado e trabalhado um pouco com esse setor (trabalhei em parceria com um
advogado e produtor cinematográfico na área de Direito do Entretenimento, além
de ter cursado duas disciplinas de Direito do Entretenimento no meu mestrado
nos Estados Unidos), creio que posso discorrer algumas linhas sobre esse tópico.
Em primeiro lugar, falando particularmente de cinema,
sem entrar no teatro, nas artes plásticas, na música e em outras formas de
representação artística, há pouquíssimos países do mundo atualmente que têm uma
indústria cinematográfica que consiga se bancar completamente por conta
própria, sem qualquer forma de patrocínio estatal. Aliás, pessoalmente só
consigo pensar em três: Estados Unidos (Hollywood), Índia (Bollywood) e China
(mais especificamente Hong Kong, que, recordando, tem um sistema econômico e
jurídico distinto da China Continental – one
country, two systems).
Todos os outros países do globo, inclusive países
europeus com produção cinematográfica de excelente qualidade, admiradas pelas
mesmas pessoas que agora vem criticar o Minc e leis de incentivo como a
Rouanet, tais como a França, a Itália e a Alemanha, necessitam de alguma
espécie de incentivo estatal para manter sua produção, sobretudo isenções
fiscais (e que ao contrário do que igualmente vem sendo apregoado por aí, têm
sim Ministérios da Cultura, e, em geral, a exemplo da França, bastante fortes e
influentes na formatação e diálogo com as sociedades daqueles países)[1].
Inclusive países que têm produção cinematográfica como
os três países citados inicialmente, em algum momento usam sim patrocínio
estatal para sua indústria cultural, sobretudo por incentivo fiscal. Cabe
ressaltar que os Estados Unidos, país do “livre empreendedorismo”, da cultura
do self-made man, do “construa seu
império do nada” e “basta você querer e trabalhar duro”, país de produtores
lendários de Hollywood, como Jack Warner, David O. Selznick, Adolph Zukor, entre
outros, todos imigrantes, ou filhos de imigrantes, de famílias de origem
humilde, tem, principalmente em diversos estados, programas de incentivos
fiscais para que produções cinematográficas e séries televisivas, sejam
produzidas naquele estado, gerando emprego e renda para os estados produtores,
e não para países estrangeiros.
Um exemplo concreto dessa tendência, foram os esforços
do então governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger (2003-2011), Republicano,
ele próprio oriundo do mundo do entretenimento, inicialmente como
fisiculturista, após como ator e produtor, sobretudo de filmes de ação, que
durante seu mandato à frente do estado mais rico de seu país de adoção[2],
buscou avançar com leis e projetos que estimulassem a produção cultural
cinematográfica em seu estado de residência, oferecendo incentivos e créditos
tributários (tax incentives and tax
credits), na tentativa de evitar que essas produções buscassem lugares mais
baratos, como outros estados norte-americanos, certos países da Europa (a
exemplo da Espanha) e outros países estrangeiros (a exemplo de Marrocos), para
realizar suas filmagens[3].
Referida política teve continuidade durante o governo de seu opositor político,
o Democrata Jerry Brown[4].
Essa discussão, por sinal, já existe faz tempo, com
filmes da década de 50/60, como os chamados “western spaguettis”, filmes do
diretor italiano Sergio Leone, que em grande parte lançaram o hoje reconhecido
ator e diretor, Clint Eastwood, ao estrelato, tendo sido filmados na Itália e
Espanha, sobretudo pelos baixos custos de produção à época naqueles países.
3.
Será,
portanto, tudo culpa da Lei Rouanet?
Pelos
exemplos citados, entende-se que essa história de "acabar com a Lei
Rouanet", pois supostamente é uma "teta" para artista vagabundo
governista é uma verdadeira loucura! O antipetismo pode criar verdadeiras
alucinações, piores que o petismo radical xiita em si! Nem o céu, nem o
inferno! Nem Hitler, nem Stalin!
A
Lei Federal No 8.313, de 23 de dezembro de 1991 (sancionada,
portanto, durante o Governo Collor de Mello, com Jarbas Passarinho, figura
chave do período do Regime Militar, então Ministro da Justiça)[5]
é fruto do trabalho do, na ocasião, Secretário de Cultura, o diplomata e
escritor Sérgio Rouanet, e prevê abatimento de até determinada porcentagem de
imposto de renda para empresas/entidades tributadas no lucro real e para
físicas que patrocinem eventos culturais, através do seu programa de mecenato[6][7].
Seguramente, a Lei precisa de ajustes,
sobretudo para que projetos fora do Eixo Rio-São Paulo (onde ficam as maiores
empresas do país) sejam contemplados por incentivos, algo que hoje,
concretamente, acontece muito pouco (e quando acontece muitas vezes é por
projetos que, ainda que sejam fora do Eixo Rio-São Paulo, como na região
amazônica, tem escritórios com empresa formada, no Rio de Janeiro, ou São
Paulo, para poder ter maiores chances de captar recursos via lei de incentivo);
seguramente
empresas nacionais ainda são muito conservadoras (percebam que grande parte dos
projetos de patrocínio de projetos culturais são feitos por estatais e
sociedades de economia mista, a exemplo da Petrobrás, visto empresas privadas
serem enormemente receosas de investirem em projetos culturais no país) e -
pior -, quando o fazem, com os benefícios trazidos pela Lei, investem pouco em
projetos que não tenham elenco global e conhecido e investem muito em projetos
que poderiam se autosustentar por conta própria e que não representam nada para
a cultura brasileira (ao estilo, "Disney on Ice", musicais da
Broadway como “Wicked”, etc.).
No entanto, se não
fosse a Lei Rouanet (e outras leis de incentivo federais, estaduais e
municipais, que preveem outras isenções de cargas tributárias, como o ICMS, estadual,
e o ISS, municipal), dificilmente a iniciativa privada (que não tende a ser
nada generosa nestes trópicos) faria qualquer espécie de mecenato no Brasil
(recordando que a iniciativa privada norte-americana – Rockefellers, Guggenheims,
Bill e Melinda Gates, Warren Buffett, Família Ford, doam e patrocinam projetos
diversos, inclusive culturais, à custa de MUITA isenção e incentivo fiscal em
seu país de origem)! Provavelmente 95% dos filmes nacionais, desde a retomada em
1995 com Carlota Joaquina jamais teriam saído do papel! A Lei Roaunet e Lei do
Audiovisual – especificamente para projetos cinematográficos[8] –
são, portanto, instrumentos importantíssimos para a produção cultural
brasileira!
Cabe melhorá-la,
discuti-la, adaptá-la à novas produções culturais (aliás discussão que fazia o
agora ex-Ministro da Cultura, Juca Ferreira já propunha e agora Ministro
Marcelo Calero continua), jamais extingui-la.
Apesar de, retornando ao início deste texto,
eu não ser grande simpatizante do PT, sobretudo da militância petista xiita na
internet e nas ruas – tampouco gosto de determinados segmentos ideológicos do
PSDB, pouco comprometidos com uma visão pragmática de sociedade, nem como em
geral funciona a estrutura interna daquele partido para a escolha de candidatos,
com pouca participação de sua militância e juventude (não é a “mídia golpista burguesa”,
que me faz desgostar daquele, ou desse partido), sugiro o artigo do jornalista Luiz
Carlos Azenha ao Viamundo, ele próprio um simpatizante do Partido dos Trabalhadores,
no qual faz observações bastante interessantes sobre a Lei Rouanet, suas
propostas para atualização, críticas e sobretudo generalizações, após o
episódio envolvendo a discussão entre jovens do Leblon, com o compositor e escritor,
Chico Buarque, notadamente apoiador do governo da agora presidente afastada,
Dilma Rousseff[9].
Enfim, talvez com a
conclusão do atual processo de impeachment, certa razão volte a reinar na sociedade
brasileira, para discutir tópicos de forma ponderada, fundamentada e não
meramente emotiva. Porém seguramente a internet traz posições extremistas para
todos os lados, não favoráveis ao aperfeiçoamento de uma democracia jovem e em
construção como a nossa.
Fontes
parciais :
Brasil de Fato - https://www.brasildefato.com.br/2016/07/15/franca-esteve-envolvida-na-criacao-do-estado-islamico-afirma-professor/
Egyptian
Streets - http://egyptianstreets.com/2015/06/09/meet-the-nine-muslim-women-who-have-ruled-nations/
California Film Institute
- Press Release - http://film.ca.gov/res/docs/pdf/press_release/2009/GAAS_7-27-09.pdf
California Film Institute
- http://www.film.ca.gov/ProductionTools_Incentives.htm
O
Globo - http://oglobo.globo.com/mundo/conversao-em-massa-na-alemanha-apos-ataques-19818821
Governo
da França – Ministério da Cultura e Comunicação - http://www.culturecommunication.gouv.fr/
Fundação
Cultural de Curitiba - http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/apoie-a-cultura/leiRouanet/como-funciona
Ministério
da Cultura - Lei Roaunet - http://www.cultura.gov.br/incentivofiscal
Site do Planalto – Lei No 8.313, de 23 de
dezembro de 1991 - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8313cons.htm
Site do Planalto – Lei No 8.685, de 20 de julho
de 1993 - http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8685.htm
[1] Para acessar o
site do Ministério da Cultura e Comunicação Francês (Ministère
de la Culture et de la Communication), acesse: http://www.culturecommunication.gouv.fr/ (em francês). Acesso em 28.08.2016.
[2] Schwarzenegger é originalmente
austríaco, onde viveu sua juventude e início da vida adulta, tendo obtido a
cidadania norte-americana na década de 80, país para o qual imigrou no final da
década de 60.
[3] Recomenda-se: http://film.ca.gov/res/docs/pdf/press_release/2009/GAAS_7-27-09.pdf (em inglês). Acesso em 28.08.2016.
[4] Recomenda-se acesso ao site da Comissão Cinematográfica do estado da
Califórnia (California Film Commission),
para analisar os incentivos tributários estaduais e municipais fornecidos à
produções cinematográficas que desejem filmar naquele estado norte-americano.
Vide: http://www.film.ca.gov/ProductionTools_Incentives.htm (em inglês). Acesso em
28.08.2016.
[5] Lei No 8.313, de 23 de
dezembro de 1991. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8313cons.htm.
Acesso em 28.08.2016.
[6] Sobre a Lei Rouanet e suas formas de incentivo
à cultura nacional, recomenda-se site do Ministério da Cultura (Minc): http://www.cultura.gov.br/incentivofiscal. Acesso em 28.08.2016.
[7] Igualmente, para se entender a Lei Rouanet,
recomenda-se o link da Fundação Cultural de Curitiba: http://www.fundacaoculturaldecuritiba.com.br/apoie-a-cultura/leiRouanet/como-funciona.
[8] Lei No 8.685, de 20 de julho de 1993. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8685.htm. Acesso em 28.08.2016.
Saturday, December 5, 2020
Crítica - O Irlandês (The irishman), 2019, de Martin Scorsese
Crítica - O Irlandês (The Irishman), 2019, de Martin Scorsese (crítica elaborada em 04.12.2019)
Acabo de assistir O Irlandês (The Irishman) do
Martin Scorsese. É um bom filme, com atuações bastante sólidas, com atores no
topo de suas carreiras (o que é bastante incrível, pois os atores principais
naquele filme têm na casa dos seus setenta e tantos anos!)
Não é o melhor filme, ou o melhor filme de
máfia, do Scorsese (nesse sentido, prefiro mais Mean Streets, Os Bons
Companheiros, The Departed, e, principalmente, Cassino - adoro Cassino! Adoro a
Sharon Stone, em Cassino!), mas é um bom filme, ainda que não excepcional.
Seguramente é melhor e mais sólido que
qualquer filme do Universo Marvel, que o Scorsese veio a criticar com toda
razão!
É um filme melancólico, que trata de temas
como decadência e envelhecimento, que tira o glamour do mundo da máfia, e que
mostra como o crime ao fim não compensa - todo mundo no filme termina morto, ou
preso, ao fim (pelo menos nos EUA. Aqui no Brasil a gente sabe que infelizmente
não é bem por aí...).
Fiquei impressionado com a atuação do
trio principal, Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, esse último sendo
retirado de uma aposentadoria de décadas por muita insistência dos amigos,
principalmente De Niro. Todos merecem indicações ao Oscar por seus papéis, seja
na categoria principal, ou coadjuvante, e todos estão excelentes!
Pacino faz Jimmy Hoffa, o Lula norte-americano
da época, sindicalista poderosíssimo e carismático, presidente do Sindicato dos
Caminhoneiros dos EUA (International Brotherhood of Teamsters), maior sindicato
dos EUA, durante toda sua vida acusado de ter ligações com a máfia
norte-americana e que, segundo alguns, seu desaparecimento se deu a mando desta
(o filme encampa esta teoria).
De Niro faz o papel principal, que carrega o
filme, de Frank Sheeran, norte-americano descendente de irlandeses (o
"irlandês" do título), que trabalhou como matador e segurança para a
máfia norte-americana e para Hoffa, e ao final da vida teria confessado ter o
matado. De Niro carrega o filme com tranquilidade e sem remorsos por suas ações
em praticamente todas as cenas.
Por fim, Pesci faz Russell Bufalino, "the
quiet Don", o chefe da máfia ítalo-americana em Pensilvânia, para o qual
Sheeran trabalhava e que mantinha contato com Hoffa. O que os personagens de
Pesci tinham de pavio curto e impulsivo em Goodfellas e Casino, ele tem de frio
e calculista, em O Irlandês. São personagens completamente diferentes, a
despeito de serem todos mafiosos ítalo-americanos.
O filme, que dura quase três horas e meia, tem
um bom ritmo, podendo ser assistido em algumas partes, como uma minissérie e
foi controverso por ter custado quase 200 milhões de dólares pelo
rejuvenescimento dos atores, todos septuagenário, interpretando em algumas
cenas homens na faixa dos 30, 40, 50 e 60 anos... Ademais, De Niro recebe um
par de olhos azuis por todo o filme, por fazer papel de um descendente de
irlandeses.
Os efeitos não me convenceram tanto quando os
atores estavam na casa dos seus trinta, quarenta anos, claramente parecia
artificial e eles aparentavam terem muito mais idade do que interpretavam, sua
própria postura corporal não convencia tanto. A partir de quando estão com 50,
60 anos no filme, funciona melhor. Porém as atuações são tão boas, a direção,
roteiro, edição, fotografia e trilha sonora são tão consistentes, que logo se esquece
desse detalhe!
Não é um filme perfeito, mas é um bom filme.
Nota 8,5 ao meu ver!
Sunday, October 6, 2019
Crítica - Coringa (Joker)
Aliás, o filme é uma grande homenagem a Scorsese, ao inclusive colocar Robert De Niro, ator principal nos dois filmes supracitados, como um comediante veterano que é o ídolo máximo de Arthur Fleck, o personagem interpretado por Joaquin Phoenix.